27 de junho de 2013

Resenha: A menina que não sabia ler

Autor: John Harding
Editora: Leya
Edição:  1/2010
Número de Páginas: 282

1891. Nova Inglaterra. Em uma distante e escura mansão, onde nada é o que parece, a pequena Florence é negligenciada pelo seu tutor e tio. Guardada como um brinquedo, a menina passa seus dias perambulando pelos corredores e inventando histórias que conta a si mesma, em uma rotina tediosa e desinteressante. Até que um dia Florence encontra a biblioteca proibida da mansão. E passa a devorar os livros em segredo. Mas existem mistérios naquela casa que jamais deveriam ser revelados. Quem eram seus pais? Por que Florence sonha sempre com uma misteriosa mulher ameaçando Giles, seu irmão caçula? O que esconde a Srta. Taylor? E por que o tio a proibiu de ler? Florence precisa reunir todas as pistas possíveis e encontrar respostas que ajudem a defender seu irmão e preservar sua paixão secreta pelos livros - únicos companheiros e confidentes - antes que alguém descubra quem ousou abrir as portas do mundo literário. Ou será que tudo isso não seria somente delírios de uma jovem com muita imaginação?

Com meu pequeno defeito de não ler a sinopse do livro antes de iniciar a leitura, li A menina que não sabia ler acreditando ser um romance no qual a protagonista, Florence, teria de lidar com problemas de temática feminista, na qual lutaria para reivindicar seus direitos como, poder estudar, até mesmo ler um livro sem ter que se esconder. Mas o que a narrativa de John Harding apresenta ao decorrer da leitura, é que sua história passa longe de ser um romance.

Inspirado em obras de autores como Edgar Allan Poe e Henry James, John tenta criar um universo paralelo entre fantasia e realidade, desenvolvendo um embate psicológico entre o personagem e o leitor. O problema é que em determinados momentos soa tão forçado, que deixava duvidosa a própria integridade da estória.

Cheguei a me perguntar qual era a verdadeira trama, no início do livro o autor sugeria um padrão que aparentemente seguiria até o fim, mas na metade  ele mudou completamente. Era como se o autor não soubesse bem onde queria chegar.  O desespero em inserir mistério foi tanto que acabou deixando algumas coisas passarem batido.

Por exemplo, o paradeiro do pai das crianças, a presença do tio tutor, Harding desperdiçou peças fundamentais do tabuleiro, para salientar o mistério em sua história.

Voltando a temática feminista citada anteriormente, fiquei bastante decepcionado, o autor poderia ter se aprofundado mais no tema mais vigente, como estudar, mas o deixa de lado para introduzir o “mistério.”

Derrapagens como essa deixam a “heroína” da história, Florence, uma personagem rasa e pouco convincente, como se cada atitude fosse apenas manhã.

O ponto alto de John é sua escrita, apesar de deixar diversas falhas pelo caminho e não alcançar o tão esperado ápice na história, conseguiu me prender pela sua escrita. Ela é fluente e arrebatadora.

Com o fim eminente  onde poderia reaver suas falhas, John novamente escorrega. Preocupado  em narrar detalhadamente os fatos, esqueceu-se do clímax necessário.  Deixando sua história entregue a superficialidade.

A menina que não sabia ler, tenta desesperadamente criar um universo fantástico, habitado pelo mistério. Mas a preocupação do autor em desenvolvê-lo foi tanta, que acabou se esquecendo da própria estória em si, tornando tudo muito superficial e inverossímil.


Nota: (2)







Um comentário:


  1. Oi adorei.. muito obrigado, depois de ter lido sua resenha...me interessei pelo livro....mas vc já leu o livro reverso ... se trata de um livro arrebatador...ele coloca em cheque os maiores dogmas religiosos de todos os tempos.....e ainda inverte de forma brutal as teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre Jesus jamais mencionados na história.....acesse o link ..
    www.buqui.com.br/ebook/reverso-604408.html

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